Xeque: boicote pressiona Facebook
- Equipe Mimosa

- 1 de jul. de 2020
- 3 min de leitura
Desde o início do mês de junho, o Facebook vem sofrendo com a debandada de anunciantes. Isso é reflexo da campanha “Pare o ódio pelo lucro”, que reivindica a adoção de medidas para o controle da circulação de discursos de ódio nas redes sociais. A ação ganhou força com os movimentos antirracistas nos EUA e tem sido vocalizada por diversas organizações, como a Anti-Defamation League e o Color of Change. Grandes marcas, como Microssoft, Adidas, Unilever, Coca-cola, Levi’s Strauss, Pepsi, Verizon Media (Yahoo!) e Starbucks, estão aderindo à causa, o que tem colocado pressão sobre as big techs.
Apesar de a mira estar apontada para todas as plataformas, o Facebook é que tem sido o maior alvo. Isso porque o grupo tem sustentado o discurso mais conservador em relação ao tema. A empresa sustenta que não tem autoridade para dizer o que é ou não verdade. O argumento é muito usado em relação às postagens do presidente dos EUA, Donald Trump, por exemplo. O que destoa da atitude de algumas concorrentes, como o Twitter, que implantou medidas como o aviso de conteúdo inseguro ou o bloqueio de publicações que contenham informações incorretas.

De acordo com a Reuters, desde o início do boicote, mais de 160 grandes corporações anunciaram a diminuição, ou retirada total, de seus anúncios do Facebook, direcionados para o público dos EUA. O impacto promete ser grande: somente com a perda das receitas da Unilever, o Facebook viu seu valor de mercado cair US$ 56 bilhões e a expectativa, segundo a Bloomberg, é que a campanha contribua para que a empresa tenha o seu pior quarto trimestre fiscal, desde que ela abriu seu capital.
Pressionado pelas críticas, o CEO Mark Zuckerberg afirmou que o Facebook vai ampliar a sua definição sobre o que é discurso de ódio para publicidade. O executivo declarou ainda que o grupo passará a sinalizar as informações noticiosas de interesse público. Além disso, a corporação anunciou a criação de um aviso sobre publicações antigas, com o intuito de reduzir o número de manchetes velhas propagadas na rede com interesses escusos.
O movimento Anti-Defamation League, porém, considerou as medidas insuficientes. A companhia, por sua vez, disse, em nota enviada à Bloomberg News, que entende que a sociedade está fazendo pressão para que ela adote mais medidas de combate aos discursos de ódio. No entanto, afirmou que não tomará nenhuma decisão baseada na variação de suas receitas, sustentou que as medidas adotadas são formuladas conforme laudos técnicos e nos valores e crenças do grupo.
A reportagem questiona se Zuckerberg vai se movimentar frente ao cenário. O texto destaca que, apesar de a perda de receita vinda de grandes corporações como a Unilever ter grande impacto, a maior parte dos oito milhões de anunciantes da rede são de pequenos negócios. Sendo assim, o texto pondera que tais empreendedores teriam menos condições de abandonar seus anúncios, principalmente agora que a maior parte do mundo vive uma crise financeira.
Para Mark Shmulik, analista da Bernstein Securities ouvido pela Bloomberg, o boicote imposto à empresa na atualidade é diferente de tudo o que já foi visto até o momento. Para ele, a pressão pública feita pelas marcas têm revelado que elas estão sustentando o discurso vindo dos movimentos sociais. “Está bem explícito quem está ou não participando do boicote. O silêncio das empresas tem sido sinônimo de cumplicidade”, argumentou Shmulik.
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*Conteúdo em inglês
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Foto destaque: Thought Catalog / Pexels

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